domingo, 27 de fevereiro de 2011

Por Falta de Um Papel e Uma Caneta

Naquele dia sentia a água passar calmamente pelos meus dedos num dia quente de verão. O rio estava brilhante e eu observava o modo como a sua correnteza ia de brusca a calma com a mesma intensidade. Minha mente trabalhava criativamente, e sozinha, criava textos esplendidos sobre sentimentos e perguntas que não obtinham respostas. Minhas mãos procuravam por um papel e uma caneta, mas nada encontravam por não terem nada perto. Enquanto mergulhava em pensamentos, escutei uma voz ao fundo chamando meu nome, tirei os meus pés da água e os dedos estavam enrugados. Sorri sozinha até me lembrar que estava sem chinelos por perto, quanto voltei a mim percebi também que havia perdido meus textos, tudo porque minhas mãos não encontram um papel e uma caneta na hora certa.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Estradas

Num minuto eu queria o mundo, e no outro eu não queria nada. Foi estranho sentir-me assim, sem chão ou a menor direção. Sempre fui acostumada a andar por mim, sem ter ninguém para ajudar, mas cheguei a um ponto em que andar por mim não era mais tão atraente. Por conta do meu cansaço ou qualquer outro sentimento cansativo, sentei-me. Parei no meio da estrada e admirei a sua paisagem. Seus contornos e suas listras separando dois caminhos distintos. Não sei por quanto tempo encarei o tempo, mas percebi, sentada no meio do nada, que não podia continuar assim. Eu sabia que no final seria apenas eu, não porque ninguém queria me acompanhar, mas porque na maior parte das vezes meu lado solitário pedia licença para seguir em frente. Levantei-me. Limpei a poeira de mim, e continuei andando. Não espero encontrar um pote de ouro no final da estrada, mas espero encontrar algo tão cativante que me mantenha atraída. Espero me encontrar e reencontrar em cada curva, para que nunca mais eu me sinta perdida dentro de mim mesma.